Você já parou para pensar em como nos apresentamos ao mundo? Geralmente, as respostas vêm carregadas de títulos: “Eu sou a Fernanda, psicanalista”, “Eu sou mãe do fulano”, “Eu sou o diretora da empresa X”.
Passamos a maior parte da vida desempenhando funções. Somos bons filhos, profissionais exemplares, parceiros dedicados. Mas, entre uma máscara social e outra, surge uma pergunta silenciosa que, muitas vezes, evitamos ouvir: Quem resta quando as luzes se apagam e os papéis não são mais necessários?
A Armadilha do "Ter" e do "Fazer"
Vivemos em uma cultura que valoriza o desempenho. Fomos ensinados que nossa importância está atrelada ao que entregamos ou à posição que ocupamos na hierarquia social. Com o tempo, essa busca por validação externa nos afasta da nossa essência.
A essência não é o que você faz; é a energia que você coloca naquilo que faz. É a sua verdade mais crua, seus valores inegociáveis e aquele brilho no olho que muitas vezes acaba soterrado pelas obrigações do cotidiano.
Os Papéis que nos Sufocam
Não há nada de errado em ser uma profissional dedicada ou uma mãe presente. O problema começa quando esses papéis se tornam prisões.
O Papel da Perfeição: Quando você sente que não pode errar para não decepcionar os outros.
O Papel da Fortaleza: Quando você acredita que precisa dar conta de tudo sozinha, sem nunca mostrar vulnerabilidade.
O Papel do Agradador: Quando o seu “sim” para o outro é, invariavelmente, um “não” para você mesma.
Quando vivemos apenas para cumprir scripts, começamos a sentir um vazio existencial. É aquela sensação de “ter tudo” e, ainda assim, sentir que falta algo essencial.
O Caminho de Volta para Casa
O autoconhecimento não é um destino, mas um processo de “desaprendizagem”. É retirar as camadas de expectativas alheias para encontrar quem você realmente é. Aqui estão alguns passos para iniciar esse retorno:
Silencie o Ruído Externo: Reserve momentos de solitude. Sem telas, sem música, sem demandas. No silêncio, a sua voz interior — aquela que você ignora há anos — começa a falar mais alto.
Identifique seus Valores: O que realmente importa para você, independentemente do que a sociedade espera? É a liberdade? A criatividade? A conexão humana?
Questione seus “Tenho Que”: Sempre que disser “eu tenho que fazer isso”, pergunte-se: “Isso nasce de um desejo real ou do medo de ser julgada?”.
Resgate a Criança Interior: O que você amava fazer antes de o mundo lhe dizer o que você “deveria” ser? Suas paixões de infância costumam ser pistas valiosas sobre sua essência.
Reconectar-se com a essência exige coragem. Coragem para, às vezes, decepcionar as expectativas dos outros em prol da sua própria lealdade. Mas o prêmio é imensurável: uma vida vivida com integridade e leveza.
Você não é apenas o seu cargo, o seu estado civil ou o seu saldo bancário. Você é o que sobra quando tudo isso é retirado. E essa pessoa, por trás de todos os papéis, merece ser conhecida, amada e ouvida por você.
